Medo e Música: o que têm além da porta do quarto?

2016-05-13 - FB

Olá pessoal, tudo bem?

Que tempos pós-modernos estamos vivendo, não é?

Essa efervescência política no Brasil com políticos se amoldando às multidões e “panelaços” das ruas, crise financeira no mundo todo, grupos terroristas (filiados ou não à Al Qaeda) formando-se aqui e acolá, distanciamento da vida real para mergulhar na virtual, com os óculos de VR cada vez mais acessíveis.

Esse mix de acontecimentos só gera uma coisa em todos nós: medo

Oportuno falar, em plena sexta feira 13, do pavor do que virá das mudanças, das novas necessidades, do abandono de velhos hábitos, de sair na rua, de viajar, de apertar ou não o Play, ou seja, de quase tudo.

Para quem ler esse post no futuro, nunca é demais lembrar da coincidência dessa 6ª feira 13 com o 128º aniversário da assinatura da Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil. Foi preciso a coragem de uma mulher, a Princesa Isabel, (que lhe custaria a perda do trono brasileiro) para vencer o medo da sociedade escravocrata de que a economia brasileira “quebraria” sem a mão de obra barata dos negros.

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Isso nos coloca a pensar qual é a contribuição desse sentimento – medo – para os seres humanos e, em especial, para nós músicos e profissionais do áudio.

Lembramos que o medo é algo inerente à Humanidade desde que desceu das árvores. Aliás, nossas duas orelhas são herança da necessária capacidade de intuir espacialmente de onde viria o próximo perigo. Ou você achava que os ouvidos só serviam para colocar os fones e escutar em estéreo? OK, a piada é velha, mas não obsoleta como diria o “Exterminador do Futuro – Genesis”.

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E por falar em Gênesis, a Bíblia está repleta de ensinamentos sobre o Medo. Um dos mais emblemáticos é o que cita Herodes que com medo da chegada do Messias, ordenou a matança de todas as crianças da época.

E por falarmos Nele, são ainda mais emblemáticas as “chamadas” aos “homens de pouca fé” ao longo de todo o Novo Testamento. Chega até a arrepiar os pelos dos braços porque parece que Jesus está falando para muitos de nós hoje em dia, não é mesmo?

Mas voltando ao tema, você não pularia de um penhasco para curtir a natureza vertical, pularia? Seu sistema nervoso central diz que isso não lhe faria bem ou que te machucaria ou (ainda) pior: poderia até te matar. O instinto de sobrevivência deriva desse “medo saudável” que todos nós temos.

Em doses maiores, o medo pode se tornar prejudicial, como casos de pessoas que, após um trauma mais “pesado”, deixam terminantemente de sair de casa ou de se relacionar com os outros. Isso nos diz bastante.

O medo nos rodeia.

Mesmo sendo um sentimento neutro/negativo, sempre enxergo que é com ele que todos aprendemos, descobrimos e experimentamos novas coisas. Exemplo clássico que você já deve ter vivido: “andar” de bicicleta.

Deve ter dado um baita medo de subir na bike sem as rodinhas!

Seja qual fosse a sua idade quando viveu essa experiência, temos certeza que enfrentou o medo com coragem, mesmo que contanto com a ajuda do seu pai, avô ou melhor amigo.

Assim como você, aos poucos você foi ganhando confiança, mas na hora de tirar as rodas de apoio, o medo recomeçava. E mesmo assim você aprendeu a andar e hoje sobe em uma bicicleta sem problemas, certo?

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Mas deixando essa (infantil) aura assustadora de lado, vamos trazer para a vida adulta alguns casos tenebrosos que podem acontecer com todos os músicos.

Mudança de Carreira

Provavelmente aconteceu com você quando decidiu ser músico (ou deixar a Música somente como um hobby). Você tem seu emprego, salário garantido no final do mês, mas quer viver “a estrada” e suas aventuras. Como deixar tudo de lado e ir viver seu sonho?

A dica é respirar fundo e tentar. Experiência própria: já larguei um emprego para viver de Música. E o medo de não dar certo?

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No começo você fica com uma estranha sensação, mas depois, vendo que seu caminho toma forma, o medo vai ficando bem pequeno (mas lembre-se que não vai embora). Valeu a pena a decisão e o enfrentamento? Claro que sim!

E não é só no emprego.

Você estuda Medicina (ou Biologia, como estudava o Kiko Loureiro), Engenharia (como o Bruno Palma) ou administração, mas quer mesmo é tocar guitarra para o mundo. A sociedade mostra que é mais seguro manter-se naquelas profissões, mas seu coração não é a sociedade. Decisão que precisa de tempo, mas não muito! E muita coragem.

Abrir seu próprio negócio.

Esse assunto a gente já discutiu bastante por aqui. Às vezes, só os shows e aulas particulares não te sustentarão. Dar esse passo de abrir um estúdio, escola, produtora ou qualquer negócio voltado à Música é (muito) difícil.

Tudo vai cair nas suas costas, ou seja, se você não fizer, ninguém fará. A incerteza do “vai dar certo? Terei clientes suficientes para pagar minhas obrigações (com funcionários e governo) e ainda sobrar uma grana pra me sustentar?” aparece também.

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Sua cabeça fica a mil, mas sabemos que grandes cases de sucesso não começaram sem esse sentimento de “pé atrás” ou puro medo do fracasso. Entretanto, muitos foram em frente, cresceram, superando medos e hoje são exemplos para todos nós.

Romper laços

Sabe aquela galera que toca com você desde os 12 anos de idade? Amigos e parceiros que construíram parte de sua história na música? Bros de muita cerveja? Mas se sua cabeça está no sucesso e a deles na diversão, é hora de tomar seu caminho.

É difícil abandonar esse tipo de relacionamento (tanto quanto uma namorada ou mesmo a família), mas é necessário para atingir objetivos mais profissionais.

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Isso acontece também quando falamos em estudar música no exterior. Deve ser demais estudar na Berklee, mas você precisa abrir mão de muita coisa aqui no Brasil. Claro, os resultados disso serão sentidos, fora que o conhecimento e novas amizades (leia mais sobre networking) que certamente fará por lá, valerão muito para toda a vida.

Oportunidade se tornando uma evolução para sua vida, mostrando que nem sempre uma quebra de paradigmas é prejudicial.

Existem muitas outras situações pela vida (de músico ou não) também te darão frio na barriga, assim como num filme de terror (afinal, sexta feira 13), mas sempre que você superar seus medos, novas oportunidades e autoconfiança surgirão.

O medo, portanto, é sempre útil se você o enfrentar de peito aberto para aproveitar cada segundo dessa experiência.

Mude, tente e evolua. Não espere dentro do quarto: é confortável demais por lá. Instigue sua mente e procure pelos caminhos mais difíceis (ou portas estreitas, se preferirem) que, com certeza, serão mais recompensadores. Já dizia uma música da banda B’z: “Easy Come, Easy Go!”.

Com esse pensamento na cabeça, vamos em frente!

Um abraço e até a próxima.

Fontes: Blog Luz.VC  / Site Minha Vida / Site Psicologado

Dan Souza é CMO, Relações Artísticas, fissurado em tecnologia e música, além de baixista nas horas vagas e apaixonado por Publicidade, Propaganda, Literatura e Filosofia. Formado em Marketing pela UNINOVE/SP, faz parte, desde 2013, da equipe de Marketing SANTO ANGELO.